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Paula Andrada

O ninho



Da janela avisto o ninho

Escuto o canto

O canto esquerdo

Onde a rolinha fez morada

Afoita, eu quis controlar

Pra natureza outro olhar

Seu próprio tempo

De gestar

 

Entendi, cedi

Vida nova em forma oval

Amplia o sentido

De tudo a volta

Pássaros na janela

Bom presságio

De energia e paz

No lar

 

É dia

O sol nasce

Ela permanece

Aquece

Passa o tempo

Ela confia

No ir e vir

Troca olhares

Na certeza de que ali

Pode ficar em paz

 

É noite

A lua ilumina

Ascende

Sem hora, nem data

Para a vida aflorar

Num sopro, o nascimento

De tempos em tempos

Só faço espiar

A mãe ave a zelar

intensamente

Seu ninho vivo, ativo

 

Os dias correm

Num piscar, o crescimento

As asas quase prontas

Ensaio para o voo

Que não tarda chegar

E com ele, ao acordar

Olho a janela

Onde tudo já foi

E agora não há

Nada além

De um ninho vazio

 

 

Paula Andrada

 



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