O ninho
- paulaandradaseo
- 17 de jun.
- 1 min de leitura

Da janela avisto o ninho
Escuto o canto
O canto esquerdo
Onde a rolinha fez morada
Afoita, eu quis controlar
Pra natureza outro olhar
Seu próprio tempo
De gestar
Entendi, cedi
Vida nova em forma oval
Amplia o sentido
De tudo a volta
Pássaros na janela
Bom presságio
De energia e paz
No lar
É dia
O sol nasce
Ela permanece
Aquece
Passa o tempo
Ela confia
No ir e vir
Troca olhares
Na certeza de que ali
Pode ficar em paz
É noite
A lua ilumina
Ascende
Sem hora, nem data
Para a vida aflorar
Num sopro, o nascimento
De tempos em tempos
Só faço espiar
A mãe ave a zelar
intensamente
Seu ninho vivo, ativo
Os dias correm
Num piscar, o crescimento
As asas quase prontas
Ensaio para o voo
Que não tarda chegar
E com ele, ao acordar
Olho a janela
Onde tudo já foi
E agora não há
Nada além
De um ninho vazio
Paula Andrada
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